Raul Correia

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Sociedade e Cultura

Publicado por Raul Correia em setembro 26, 2008

Comportamento padronizado e vida coletiva

 

            A sociologia começa com dois fatos básicos: o comportamento dos seres humanos revela padrões regulares e repetitivos, e os seres humanos são animais sociais e não criaturas isoladas.

            Quando observamos as pessoas à nossa volta tendemos mais a notar-lhes as idiossincrasias (maneira pessoal de ver, sentir e reagir; propensão) e singularidades pessoais do que as semelhanças. Charles Horton Cooley diz: “Não se dá o caso de que, quanto mais próxima estiver uma coisa do nosso hábito de pensamento, tanto mais claramente vemos o indivíduo? O princípio é muito semelhante ao que faz que todos [os chineses] se nos afigurem muito parecidos; vemos o tipo por ser tão diferente daquele que estamos acostumados a ver, mas somente quem vive dentro dele é capaz de perceber plenamente as diferenças entre os indivíduos”.

            Os aspectos repetidos da ação humana constituem a base de qualquer ciência social. Escreveu Aristóteles: “O homem é naturalmente um animal político e quem quer que seja, natural e não artificialmente, inadequado à sociedade há de ser inferior aos homens”. Ao tentarem explicar as regularidades aparentes da ação humana e os fatos da vida coletiva, criaram os sociólogos dois conceitos, o de sociedade e o de cultura. A sociedade humana não pode existir sem cultura, e a cultura humana só existe dentro da sociedade.

 

Sociedade

 

            As diferenças conceituais indicam que as pessoas estão considerando ou destacando aspectos do mesmo fenômeno.

            Em sua concepção mais lata, sociedade refere-se apenas ao fato básico da associação humana. O conceito de relação social baseia-se no fato de que o comportamento humano está orientado de inúmeras maneiras para outras pessoas. Os homens somente vivem juntos e partilham de opiniões, crenças e costumes comuns, mas também interagem continuamente uns aos outros e modelam seu comportamento pelo comportamento e pelas expectativas alheias. A interação não é uma ocorrência momentânea, é um processo persistente de ação e reação. A relação social consiste num padrão de interação humana. De um ponto de vista, portanto, a sociedade é a “trama das relações sociais”.

            A sociedade é antes o grupo dentro do qual os homens vivem uma vida comum total, que uma organização limitada a um propósito ou a propósitos específicos. Em qualquer sociedade podem encontrar-se grupos menores dentro de grupos maiores e os indivíduos pertencem, simultaneamente, a vários grupos. Uma sociedade, portanto, pode ser analisada em função de seus grupos constituintes e suas relações recíprocas.

 

Cultura

            Toda sociedade possui um modo de vida ou uma cultura, que define modos apropriados ou necessários de pensar, agir e sentir. Em sociologia a cultura se refere à totalidade do que aprendem os indivíduos como membros da sociedade. Tylor define: “A cultura é o todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer aptidões adquiridas pelo homem como membro da sociedade”. Segundo George Murdock, a cultura é, em grande parte, “ideacional”: refere-se aos padrões, às crenças e às atitudes em função das quais agem as pessoas.

            A importância da cultura reside no fato de que ela proporciona o conhecimento e as técnicas que permitem ao homem sobreviver, física e socialmente, e dominar e controlar, na medida do possível, o mundo que o rodeia.

            O homem é o único animal que possui cultura; de fato, nisto reside uma das distinções cruciais entre o homem e outros animais.

            De importância central na definição de cultura é o fato de ser ela, ao mesmo tempo, aprendida e partilhada. O comportamento universal, embora não aprendido, ou que é peculiar ao indivíduo, não faz parte da cultura. Não só o comportamento não aprendido, como os reflexos, mas também as idiossincrasias pessoais podem, todavia, ser influenciados ou modificados pela cultura.

 

Os componentes da cultura

 

            Instituições: padrões normativos que definem o que se entendo por… Modos de ação ou de relação social adequados, legítimos ou esperados.

            Alguns autores enxergam numa instituição um conjunto de normas interligadas, um “sistema normativo” centralizado em torno de algum tipo de atividade humana ou algum problema importante na sociedade.

            Uma distinção entre as instituições é a que existe entre folkays e mores.

            Folkays: prática convencional aceita como apropriada, mas sobre a qual não se insiste.

            Mores: normas moralmente sancionadas com vigor. A não conformidade provoca desaprovação moral.

 

            Uma segunda dimensão das instituições nasce do contraste entre costumes e leis.

            Costumes: práticas aceitas como formas apropriadas de comportamento, sancionadas pela tradição. São comuns em sociedades pouco complexas.

            Leis: regras decretadas pelo poder político e impostas pelo Estado; comuns em sociedades complexas.

            O segundo entre os principais componentes da cultura, as idéias, abrange uma série variada e complexa de fenômenos sociais. Além das idéias cognitivas e expressivas, os homens também aprendem e partilham os valores que lhes governam a vida, os padrões e idéias pelos quais definem suas metas. Tais valores não são regras específicas de ação, mas preceitos gerais a que os homens se sujeitam.

            O termo valor, contudo, é empregado às vezes para designar objetivos ou situações definidos como bons. Os valores, portanto, adquirem seu caráter em virtude dos juízos dos homens, mas deles se distinguem.

            A comunicação é um processo social fundamental, pois é apenas através da troca de idéias que se torna possível a vida social organizada. O que distingue os homens de outras criaturas é o desenvolvimento de uma linguagem simbólica, que vai além de sinais grosseiros, capazes apenas de transmitir informações limitadas ou servir de estímulos diretos à ação. A linguagem simbólica representa não só o componente fundamental da cultura, senão também o que lhe torna possível a elaboração e a acumulação.

           

            Cultura material é o terceiro entre os principais componentes da cultura e é talvez o mais fácil de se definir. Consiste nas coisas materiais que os homens criam e usam, e que vão desde os primitivos instrumentos do homem pré-histórico às máquinas mais adiantadas do homem moderno.

            A divisão entre idéias – conhecimento, valores, crenças tradicionais – e cultura material, embora muitas vezes útil, é, de certo modo, arbitrária, pois para descrever plenamente artefatos culturais é necessário conhecer-lhes os usos, as atitudes tomadas em relação a eles e o conjunto de habilidades e conhecimentos necessários para produzi-los.

 

A organização da cultura

 

Papel e “status”.

            Status: posição socialmente identificada.

            Papel: padrão de comportamento esperado ou exigido de pessoas que ocupam determinado status.

            Pode-se dizer que os homens representam ou desempenham papéis sociais; preenchem ou ocupam status. O status é uma espécie de cartão de identidade social, que coloca as pessoas em relação a outras e sempre supõe também uma espécie de papel. Cada homem ocupa muitos status e desempenha muitos papéis. A maneira pela qual procede uma pessoa depende, portanto, da posição particular em que se encontra e as expectativas de papel que a acompanha.

            A importância dos papéis sociais não reside apenas na extensão em que eles regulam o comportamento, mas também no fato de permitirem aos homens que predigam as ações de outros e, portanto, modelem as próprias ações de acordo com essa predição. Existem, portanto, relações sociais entre os papéis desempenhados por membros de uma sociedade. Tais relações não apenas indiretamente definidas por valores que proporcionam padrões gerais de comportamento, mas também por prescrições institucionais específicas, as quais indicam a maneira pela qual se espera que os ocupantes de status definidos se comportem em relação uns aos outros.

            Entre muitos status que os homens podem vir a ocupar, podemos distinguir os atribuídos e os adquiridos. O status atribuído deriva de atributos sobre os quais a pessoa não tem controle ou do fato de pertencer a um grupo em que foi incluída através de outros, espera-se que ela adquira e exerça certos papéis. O status adquirido é ocupado mercê de alguma ação direta ou positiva, precisa ser conquistado pela pessoa.

            Um dos aspectos mais significativos do status é o valor que se lhe atribui, o respeito ou prestígio que o cerca aos olhos dos outros.

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