Raul Correia

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Respostas da Prova de Descartes

Posted by Raul Correia em novembro 28, 2008

1.      Qual a razão de Descartes submeter todo o conhecimento a uma dúvida exagerada, hiperbólica? Explique também as três etapas dessa dúvida.

Descartes percebeu que desde seus primeiros anos recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras; de modo que era necessário tentar seriamente desfazer-se de todas as opiniões a que até então dera crédito e começar tudo novamente desde os fundamentos para poder estabelecer algo de firme e de constante nas ciências.

Assim, Descartes aplica-se seriamente e com liberdade em destruir em geral todas as suas antigas opiniões. Para tanto, não seria necessário provar que todas as opiniões conhecidas são falsas, mas colocar em dúvida todas as coisas que não são inteiramente certas e indubitáveis, o menor motivo de dúvida que nelas encontrasse bastaria para rejeitar todas. Contudo, não era necessário que examinasse cada uma das opiniões em particular, o que seria um trabalho infinito; então bastaria eliminar os princípios sobre os quais todas as suas antigas opiniões estavam apoiadas para provar que todas elas eram falsas. Para isso, Descares desenvolveu três etapas. São elas:

 

·         Argumento dos erros dos sentidos

Todo conhecimento adquirido por Descartes até aquele momento, tido como verdadeiro e seguro, aprendeu-os através dos sentidos ou pelos sentidos. Mas Descartes percebeu que esses sentidos eram enganosos, e como já foi dito, tudo em que houvesse alguma dúvida seria posto como falso, e sendo que os sentidos às vezes nos enganam, então toda opinião formada através dos sentidos enganosos são tidos como falso.

·         Argumento dos sonhos

Ainda que os sentidos nos enganem às vezes, no que se refere às coisas pouco sensíveis e muito distantes, encontramos talvez muitas outras, das quais não se pode duvidar. Então Descartes, para estender a dúvida a todo conhecimento sensível, define o argumento dos sonhos, cujo qual mostra que muitas vezes somos enganados enquanto estamos dormindo, pois freqüentemente não encontramos indícios concludentes, nem marcas assas certas por onde se possa distinguir nitidamente a vigília do sono.

·         Argumento do Deus Enganador ou do Gênio Maligno

Mas Descartes ainda encontrou algumas opiniões, que pelos argumentos anteriores, continuavam intactas. Opiniões como a aritmética, a geometria e as outras ciências desta natureza, que não tratam senão de coisas muito simples e muito gerais, sem cuidarem muito em se elas existem ou não na natureza.

Descartes então expõe que há um Deus que tudo pode e por quem tudo foi criado. Esse Deus poderia ter-nos enganados, fazendo-nos acreditar em todas as opiniões existentes, tais como a adição de dois mais três, ou que o quadrado possui quatro lados, que existe um céu e uma terra.

Para as pessoas que preferem negar a existência de um Deus tão poderoso, Descartes supõe, pois que há um verdadeiro Deus, que é a soberana fonte de verdade, mas certo Gênio Maligno e enganador, que empregou toda a sua indústria em enganar-nos. Esse Gênio Maligno poderia nos fazer acreditar na existência do céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as coisas exteriores que vemos, quando na verdade são meras ilusões e enganos de que ele se serve para surpreender nossa credulidade.

 

2.      Explique as quatro regras do método cartesiano e a sua finalidade. Use o exemplo do relógio para ilustrar a sua resposta.

 

a.       Clareza e distinção: jamais podemos acolher alguma coisa como verdadeira que não conhecemos evidentemente como tal; que devemos evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, ou seja, evitar a formulação de juízos a partir de prejulgamentos ou de opiniões simplesmente recebidas e não efetuar um juízo até que a ligação entre os termos representados apareça com inteira clareza e distinção.

b.      Análise: devemos dividir cada uma das dificuldades examinadas em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las.

c.       Ordem: precisamos conduzir por ordem nossos pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, até o conhecimento dos mais compostos.

d.      Enumeração: fazer enumerações tão completas e revisões tão gerais, que se tenha certeza de nada omitir.

 

Usando o relógio como exemplo, podemos definir as etapas da seguinte maneira: ao olhar um relógio não podemos ter certeza de seu funcionamento. Devemos duvidar de seu mecanismo e não aceitá-lo precipitadamente. Por conseguinte temos que dividi-lo em tantas partes possíveis e necessárias para que possamos entender-lo. O próximo passo seria estudar por partes e ir evoluindo até remontá-lo, terminando as etapas com uma revisão ou tantas outras que forem necessárias para se certificar que tudo está correto.

 

3.      Qual a primeira certeza ou verdade absoluta alcançada por Descartes depois da dúvida hiperbólica? Explique.

Após o desenvolvimento da teoria de que todas as opiniões eram falsas e da criação do método, Descartes começou a procurar uma verdade simples e indubitável e nesse processo conseguiu formular o fato de que ele duvidada, a partir do ato de duvidar Descartes usando o método o dividiu em partes menores, chegando ao fato de que se duvida, logo ele pensa; seguindo o método, começou a evoluir sua teoria a partir dessa base (que pensa) chegando a algo mais amplo, que se pensa, então existe; revisando, portanto todo seu raciocínio, Descartes chegou à sua primeira certeza absoluta: penso, logo existo.

 

4.      Qual a diferença entre substância pensante e substância extensa? Por que Descartes afirma que só podemos conhecer com certeza aquilo que pode ser reduzido a relações matemáticas? Explque.

 

·         Substância pensante

Para descartes é mais real o que compreendemos com a razão do que obtemos dos sentidos. Assim, essa substância pensante pode ser considerada como a “alma”. Através dessa alma – que para Descartes estava ligada ao corpo por uma glândula no cérebro – que conseguimos adquirir conhecimentos verdadeiros

·         Substância extensa

Enquanto a alma (substância pensante) exerce a função de fornecer informações, a substância extensa – que pode ser entendida como o corpo – recebe essas informações e as aplica. Por essa definição conseguimos entender que para Descartes o corpo funciona como uma máquina (um autômato), apenas obedece a comandos fornecidos pela alma e que através dele não conseguimos adquirir conhecimentos verdadeiramente indubitáveis.

 

            Para Descartes, nós só conseguimos conhecer a natureza extensa das coisas, tal como o comprimento e o peso. Isso resulta que só temos conhecimento daquilo que possa ser reduzido a relações matemáticas, do contrário, nós não conseguimos ter uma opinião segura. Por exemplo, uma mesa, desta podemos ter o conhecimento de sua altura, seu comprimento, seu peso. Ou seja, dividimos a mesa em partes menores e conseguimos ter o conhecimento delas. As outras informações da mesa não conseguimos ter um conhecimento verdadeiro.

 

5.      Descreva as principais inovações trazidas pela Revolução Copernicana e a Física de Galileu. Explique porque elas mudaram o modo da humanidade compreender o mundo e o universo.

Em 1510, Nicolau Copérnico rompe com mais de dez séculos de domínio do geocentrismo. No livro Commentariolus diz pela primeira vez que a terra não é o centro do universo e sim um entre outros tantos planetas em torno do sol.

A revolução copernicana se consolida apenas um século depois, com as descobertas telescópicas e a mecânica de Galileu Galilei.

O principal efeito dessa teoria criada por Copérnico e fundamentada por Galileu para Descartes foi o estabelecimento da dúvida como o ponto de vista científico moderno.

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