Raul Correia

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Formação da riqueza e da pobreza de Alagoas

Posted by Raul Correia em dezembro 2, 2008

            Com o apoio imperial, que tinha o açúcar como o grande negócio estabelecido na colônia, a partir do século XVIII, Alagoas transformou-se numa província de predominância absoluta da cana-de-açúcar.

            No intuito de aumentarem a produção e a exportação de açúcar, os senhores de engenho derrubavam as matas, expulsavam os índios, confinando-os em aldeia, de modo a permitir que o avanço da plantação de cana, na forma de monocultura, fizesse de Alagoas a segunda região mais produtora de açúcar, no Brasil colonial.

            Esse domínio da monocultura da cana-de-açúcar, baseada na doação de sesmaria e na mão-de-obra escrava, fazia dos senhores de engenhos grandes latifundiários e possuidores de poder econômico e político na província alagoana.

            Por mais de três séculos, o engenho de açúcar era a única unidade de produção socialmente dominante e economicamente viável que existia em Alagoas. As outras atividades surgiram derivadas das necessidades do engenho. Assim foi com a pecuária, com a produção de alimentos, com os pequenos produtores independentes e com os comerciantes.

            No setor agrícola predomina a cultura da cana-de-açúcar, sendo que sua predominância está na Zona da Mata e nos Tabuleiros Costeiros, e a pecuária de leite no Sertão, principalmente em torno do município de Batalha.

            A característica mais marcante da indústria alagoana é a enorme importância da divisão de alimentos e bebidas decorrentes da produção de açúcar. A distribuição espacial desse tipo de indústria não privilegia a microrregião de Maceió, uma vez que a usina de açúcar e a destilaria de álcool localizam-se junto à fonte de matéria-prima e agrícola não qualificada e gerando muitas ocupações não-agrícolas no meio rural.

            Assim, o padrão de desenvolvimento adotado partiu da premissa de que o crescimento econômico seria capaz de promover o desenvolvimento humano. Sabemos hoje que esse modelo não se mostrou eficaz no que se propunha, porque oferecendo nível mínimo de desenvolvimento social às sociedades, acarreta dificuldades para se expandirem de forma sustentável. De acordo com Franco, para uma sociedade atingir o estágio de desenvolvimento, a acumulação do capital humano e do capital social são dois fatores decisivos.

            Esse poder político que, ao definir suas prioridades, privilegiou uns poucos e excluiu o grosso da população da riqueza gerada, é um poder autocrático, porque gera um ambiente econômico, social e político que dificulta a acumulação de capital social e humano, bem como o acesso aos meios de sobrevivência à maioria da população.

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