Raul Correia

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Os motores da história

Posted by Raul Correia em dezembro 2, 2008

            Cada motor modifica o quadro de produção de nossa história e também modifica a percepção e a informação.

 

Primeiro Motor:

            Motor a vapor. Aconteceu na ocasião de uma revolução da informação e da criação da primeira máquina, ou seja, da máquina que serviu à revolução industrial. Permitiu a criação do trem e, portanto, a visão do mundo através do trem, a visão em desfile.

 

Segundo motor:

            Motor explosão. Propiciou o desenvolvimento do automóvel e do avião. Esse motor possibilitou uma infinidade de máquinas; as máquinas-veículos e também toda uma série de máquinas de produção industrial. Voando, o homem obteve uma informação e uma visão inédita do mundo: a visão aérea.

 

Terceiro motor:

            Motor elétrico. Deu origem à turbina e favoreceu a eletrificação, permitindo uma visão da cidade à noite.

 

Quarto motor:

            Motor foguete. Permitiu ao homem escapar da atração terrestre. Concedeu a visão da Terra a partir de uma outra terra: a Lua.

 

Quinto motor:

            Motor informático. É o motor à inferência lógica, aquele do software, que vai favorecer a digitalização da imagem e do som, assim como a realidade virtual. Através deste modificamos a relação com o real, duplicando a realidade através de uma outra realidade, que é uma realidade imediata, em tempo real, live.

            Com a realidade virtual não se sabe o que se perde, não existe equivalente. Nos engajamos numa tecnologia da virtualidade sem compreender os prejuízos trágicos dela decorrentes: a perde do real, a sua desqualificação.

 

            Assim, dizer “arte do motor” significa dizer que toda arte moderna é ligada à invenção de motores.

            Nós somos a primeira geração a viver um tempo mundial. O live, o tempo real, é um tempo mundial. Doravante o tempo local (de cada região ou grupo social) é bem menos importante politicamente, economicamente, do que o tempo mundial.

            Com a tecnologia do tempo mundial e do imediato alguma coisa se perde: trata-se da distância. A derrota dos fatos caminha junto com a derrota das distâncias. Por isso nós nos transformamos menos em cidadãos do que em contemporâneos. Quando dizemos cidadão, queremos dizer do solo, da mesma cidade, se referindo ao espaço local e real. Contemporâneo se refere entretanto ao tempo real e mundial.

 

Lei do menor esforço: toda a história das ciências e das técnicas da espécie humana é ligada à lei do menor esforço. Ou seja, o homem é submisso ao peso, ao esforço e ao cansaço. E todas as ciências e as técnicas desenvolvem unicamente meios de evitar o cansaço, e de realizar um menor esforço.

 

            Através da cibernética social estamos constantemente sob controle, sob uma mensagem – através de um telefone celular, de uma secretária eletrônica, etc. –, estamos o tempo todo condicionados a reflexos: perde-se a reflexão em proveito do reflexo. A reflexão é a memória e o raciocínio, enquanto que o reflexo é desprovido de reflexão.

 

Primeira revolução:

            Revolução dos transportes. Permitiu a invasão do espaço do mundo e sua conquista pela indústria.

 

Segunda revolução:

            Revolução da transmissão instantânea. Estamos nela neste momento, trata-se do imaterial, com os satélites, as redes eletrônicas, as multimídias.

 

Terceira revolução:

            Revolução da transplantação. Deriva da miniaturização dos objetos.

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