Raul Correia

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Problemática Ambiental

Posted by Raul Correia em dezembro 2, 2008

            O desenvolvimento sustentável é apresentado como “conceito” (mas na verdade é apenas uma idéia), como um “objeto” a ser alcançado num futuro – mas esse futuro não é determinado –, visando “garantir as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também as suas”.

            Embora todos os componentes da sociedade sejam promotores do desenvolvimento, o progresso é atribuído aos detentores de capital, que criam empregos, recebem os “frutos bons” do progresso. Os pobres só recebem os “frutos podres”, não têm acesso à educação, saúde… São tidos como os maiores responsáveis pela poluição, depredação das riquezas naturais. Assim, os pobres, os países pobres poderiam por em risco as riquezas, embora já fosse conhecido que o maior uso e abuso das riquezas naturais ocorria nos países do centro do sistema.

            Implanta-se a idéia, nas Agendas 21 locais, de que a “preservação, conservação” dos recursos naturais poderá provocar a “inclusão” social, em especial, com a coleta, separação dos resíduos sólidos recicláveis. Teoricamente, vivendo de “restos” da produção os excluídos seriam incluídos no sistema, mas não no meio técnico-científico-informacional. Esse exemplo da chamada “inclusão” nos mostra que a técnica não é neutra e que serve como alavanca para dominar o trabalhador.

            A agende política passa a ser construída tendo, como meta, atingir o desenvolvimento sustentável e, como referencial, o neoliberalismo. São os Estados que assinam a Agenda 21, no entanto, são as corporações multinacionais que detêm o poder da tecnologia. Os Estados são responsáveis pela implementação, porém, para o neoliberalismo, o Estado tem de ser “mínimo”.

            Nega-se e reafirma-se, ao mesmo tempo, a fé na ciência/tecnologia. Nega-se na medida em que as tecnologias do passado provocaram os problemas ambientais e precisa-se de tecnologias adequadas. Reafirma-se na medida em que serão as novas tecnologias que irão proporcionar o desenvolvimento sustentável. Nega-se também a capacidade de “pensar” das gerações futuras para encontrar outras formas de sobrevivência que não as atuais.

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